Óleo

O que é

O petróleo, do latim “petroleum” (“petrus” de pedra e “oleum” de óleo), é a principal fonte de energia utilizada no mundo e por isso tem enorme importância. Trata-se de um líquido natural, inflamável e oleoso, com cheiro característico e densidade menor que a da água. É uma mistura complexa de hidrocarbonetos, ou seja, de substâncias orgânicas formadas apenas por hidrogênio e carbono. Na sua maioria são hidrocarbonetos alifáticos e alicíclicos aromáticos. O petróleo pode conter também quantidades pequenas de nitrogênio, oxigênio, compostos de enxofre e íons metálicos, principalmente de níquel e vanádio. Sua cor pode variar do incolor ao marrom ou preto, passando pelo verde e marrom-claro.  

Origem 

Conforme a teoria mais aceita, o petróleo se formou a partir da decomposição de matéria orgânica, principalmente algas, causada pela pouca oxigenação e pela ação de bactérias que teriam se acumulado no fundo dos mares e lagos. Com o passar de milhões de anos, o peso dos sedimentos sobre eles depositados teria promovido compactação e aquecimento, levando às transformações que o originaram. A temperatura mínima para deflagrar esse processo é 49°C, mas ela pode chegar a 177°C. Estas temperaturas ocorrem em profundidades de 1.500 a 6.400 metros, respectivamente. Se a temperatura no interior da terra for maior do que 177ºC, a matéria orgânica se transforma em gás ou grafita. Como sua formação é extremamente lenta, o petróleo é considerado um recurso não renovável.

Tipos de Petróleo

São encontrados na natureza petróleos com características químicas e físicas variadas que terão impacto no uso a que se destinam e no seu preço. São chamados de leves, médios e pesados conforme estas características. Os termos “leve” e “pesado” referem-se à consistência do óleo, que pode ser mais ou menos concentrado. Os óleos mais leves podem ser utilizados na fabricação de produtos mais nobres, como a nafta empregada no setor petroquímico, gasolina e gás e por isso comandam preços mais altos. Quanto mais leve, maior o preço. O petróleo mais viscoso serve para produtos mais baratos, como óleo combustível, pois refiná-lo para usos mais nobres é mais caro. A viscosidade do óleo é medida conforme a escala API criada pelo American Petroleum Institute (API). Quanto maior o grau de API, melhor a qualidade do petróleo

Exemplo de óleo pesado

A referência mundial de qualidade do óleo é o tipo Brent, negociado em Londres, Singapura e Dubai e o WTI, negociado em Nova York. Ambos são leves e servem como base para calcular o preço do petróleo de diversas reservas. Óleos mais pesados do que os Brent e WTI serão precificados com desconto enquanto os mais leves terão ágio.

Cabe destacar que o petróleo Brent e WTI são óleos crus que ainda não passaram por processos de refino. O primeiro recebe este nome porque é produzido na região do Mar do Norte, proveniente dos sistemas de exploração petrolífera de Brent e Niniam. O petróleo light é o nome que se usa para o óleo leve, sem impurezas, que já passou pelo sistema de refino. É o mais valioso, pois produz mais gasolina.

Outros tipos de petróleo são: os óleos extraídos de areias impregnadas de alcatrão, o petróleo naftênico, que contém grande quantidade de hidrocarbonetos naftênicos, o petróleo parafínico, com grande concentração de hidrocarbonetos parafínicos e o petróleo aromático, com grande concentração de hidrocarbonetos aromáticos.

Transporte

Do poço, o petróleo é transportado para uma refinaria ou para outro local, como um porto, onde será embarcado. Para isso, usam-se tubulações com diâmetros que variam entre 5 cm e 1,22 m, chamadas oleodutos. Para transporte a longa distância, através do mar, a melhor opção são os navios petroleiros, navios-tanques de grandes dimensões.

O Refino

O petróleo bruto, tal como sai do poço, não tem aplicação direta. Para utilizá-lo, é preciso fracioná-lo em seus diversos componentes, processo que é chamado de refino ou destilação fracionada. O processo começa pela eliminação dos sais minerais do petróleo bruto. Depois, o óleo é aquecido a 320°C em fornos de fogo direto e passa para as unidades de fracionamento, onde podem ocorrer até três etapas diferentes ao fim das quais são obtidos produtos tais como: carburantes, solventes, gasolinas especiais, combustíveis e produtos diversos. O gás natural, em contrapartida, após um beneficiamento muito simples e já está pronto para uso como combustível.

Usos

Cerca de 90% do petróleo consumido é utilizado na geração de energia termoelétrica ou de combustão (meios de transporte ou fornos industriais). Dos 10% restantes, são extraídos os produtos que abastecerão as indústrias - 60% das matérias-primas utilizadas na indústria mundial vêm do petróleo. O elenco de derivados do petróleo é infindável e além dos combustíveis destaca-se a nafta, matéria-prima base para toda a cadeia de produção de resinas plásticas.

Derivados do Petróleo

Combustíveis Petroquímica
  • Gas de cozinha
  • Benzina, Gasolina
  • Querosene
  • Diesel
  • Óleo combustível
  • Óleo e graxas lubrificantes
  • Petróleo pesado ou óleo combustível
  • Petroquímicos básicos: eteno, propeno, benzeno e tolueno
  • Petroquímicos intermediários: cicloexano e sulfato de amô
  • Etileno/eteno: PET e PVC
  • Resinas plásticas: brinquedos, adesivos, caixas d'água, lonas, frascos de soro, tampas e recipientes, calçados, pneus, tintas, plástico, filme, outros.

Preços Históricos

A demanda por petróleo é influenciada por fatores como o crescimento econômico e de renda, a industrialização e o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, os quais tem comportamentos razoavelmente previsíveis. As reservas são abundantes e capazes de atendê-la, porém fatores de curto prazo impactam a oferta e a dinâmica de formação de preços.

Nas últimas quatro décadas ocorreram três mudanças bruscas e duradouras no preço do petróleo, conhecidas como “choques do preço do petróleo”. O primeiro foi causado pelo Embargo do Petróleo Árabe de 1973 com a formação da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP). Já o segundo, que praticamente triplicou os preços, foi causado principalmente pela Guerra Irã-Iraque em 1980. Por fim, o terceiro choque do petróleo ocorreu entre 1985 e 1986, quando a Arábia Saudita adotou um sistema de margens fixas para as refinarias, causando uma queda acentuada nos preços.

Outras oscilações significativas nos preços do petróleo ocorreram em 1990 com invasão do Kuwait pelo Iraque; em 1998, em decorrência à concomitante crise financeira na Ásia e à retomada das exportações do Iraque; e em 1999, devido a cortes de produção pela OPEP. Em seguida houve um período longo período de alta de preços com um pico em 2008 em virtude da queda da capacidade ociosa da OPEP. Após a crise financeira daquele ano, houve redução da demanda e baixa dos preços do petróleo, fazendo com que a OPEP reduzisse a produção para estabilizar tais preços. Em 2013, os preços do petróleo se estabilizaram no intervalo de US$100 e US$112 por barril, valores que perduraram até setembro de 2014, quando se instalou uma grande volatilidade nos preços do petróleo cru, com o Brent, atingindo patamares inferiores a US$ 50 por barril em janeiro de 2015.

Os principais fatores que contribuíram para o cenário atual são: (i) desenvolvimento e aumento expressivo da produção do gás de xisto nos Estados Unidos, o que desde 1995 vem reduzindo sua importação de petróleo o tornando exportador líquido; (ii) menor demanda global, dado ao baixo crescimento dos países desenvolvidos e emergentes inclusive a China; (iii) decisão inédita da OPEP de não reduzir a produção, liderada pela Arábia Saudita com a estratégia de recuperar participação de mercado e “testar” o teto dos custos de produção que inviabilizariam e/ou diminuiriam as explorações e produções do xisto, sands oil e operações off-shore em águas profundas; (iv) fortalecimento do dólar frente a outras moedas no mercado internacional.

Última atualização em 2015-04-29T18:33:37

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