QGEP tem lucro recorde com venda de área do pré-sal

Por Rodrigo Polito (Valor Econômico)

A venda da participação no promissor prospecto de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, para a norueguesa Statoil, impulsionou o resultado da Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) em 2017, fechando o ano com lucro recorde de R$ 357,4 milhões, mais que o dobro do apurado no ano anterior. O resultado do quarto trimestre, quando houve a primeira parte do pagamento pelo negócio, também foi recorde, de R$ 193 milhões mais que o triplo do obtido em igual período de 2016.

"Mesmo sem a venda de Carcará, nós já teríamos um resultado [em 2017] melhor do que o que tivemos no ano anterior, em função de um resultado melhor em [no campo de] Manati [na Bahia]. Tivemos uma receita maior e custos associados à manutenção menores. Tivemos menos custos exploratórios", disse a diretora Financeira e de Relações com Investidores da QGEP, Paula Corte-Real.

Em julho de 2017, a QGEP assinou a venda de sua fatia de 10% no bloco BM-S-8, onde está Carcará, por US$ 379 milhões. O pagamento da primeira parcela, de 50%, porém, foi feito apenas em novembro, quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a transferência. O restante será pago em duas parcelas, sendo uma (de 12%) após a outorga do contrato de partilha da área adjacente do bloco, que ocorreu em fevereiro, e outra (de 38%), depois da assinatura do acordo de individualização de produção ou unitização da área.

Segundo a executiva, mesmo com o recebimento de 50% do valor do negócio, já foi feita a baixa do valor total do ativo no balanço da QGEP no quarto trimestre.

Com o negócio, a Statoil passou a deter 76% do bloco. Os outros sócios são Petrogal (14%) e Barra Energia (10%).

Com o recebimento da primeira parcela, a QGEP ganhou fôlego e fechou o ano passado com caixa em torno de R$ 2 bilhões. Assim, o conselho de administração da empresa propôs a distribuição excepcional de dividendos, de R$ 400 milhões, ou algo como R$ 1,55 por ação. Nos últimos três anos, a petroleira vinha distribuindo R$ 40 milhões por ano (cerca de R$ 0,15 por ação).

"Esta ação [distribuição de dividendos extraordinários] foi tomada em função sobretudo da venda [de Carcará], mas também das necessidades que a companhia terá de curto, médio e longo prazo. Então, estamos confortáveis com isso", disse o diretor presidente da QGEP, Lincoln Guardado.

Com relação aos compromissos futuros, a QGEP planeja investir US$ 70 milhões em 2018, sendo US$ 48 milhões no campo de Atlanta, no bloco BS-4, na Bacia de Campos, que entrará em operação entre o fim de março e início de abril, e US$ 17 milhões em exploração. Para 2019, a previsão é investir US$ 46 milhões, dos quais US$ 30 milhões em Atlanta e US$ 11 milhões em exploração no bloco BM-CAL-12, na Bacia de Camamu-Almada.

O início da produção no campo de Atlanta marcará o primeiro óleo da QGEP como operadora, a partir de um sistema de produção antecipada, por meio de um navio-plataforma. A expectativa inicial da empresa é produzir 20 mil barris diários, através de dois poços, com a possibilidade de perfurar um terceiro poço no fim do ano, ampliando a produção para 30 mil barris diários. A companhia deverá decidir sobre o modelo do sistema definitivo de produção no campo em 2019.

A QGEP é operadora em Atlanta, com 30% da área. Os demais sócios são a Barra Energia (30%) e a Dommo Energia (antiga OGX, 40%).

A petroleira criada por Eike Batista, aliás, está inadimplente com os sócios no BS-4 em cerca de R$ 150 milhões. A QGEP trabalha com três saídas para o impasse. A primeira seria a venda direta da participação da Dommo para outra empresa. A segunda é uma arbitragem internacional, acionada pela própria Dommo, contra o pedido da Barra Energia de expulsão da companhia do consórcio. A última é o pedido pela QGEP à ANP de venda ou transferência da fatia da Dommo, por inadimplência.

"De uma maneira ou de outra, eles vão nos pagar. Ou pela venda [do ativo] ou pela inserção de algum tipo de capital que eles possam vir a tomar", disse Guardado.

Sobre a 15ª Rodada da ANP, marcada para 29 deste mês e da qual a QGEP está inscrita, ele não revelou detalhes, mas contou que a empresa atuará em linha com a gestão do seu portfólio. "Não é uma obrigatoriedade, mas uma intenção [de participar do leilão]."

Após o leilão, a QGEP deve colocar à venda participações em dois blocos, nas bacias da Foz do Amazonas e de Pará- Maranhão. A ideia é buscar sócios para a exploração.


Atualizado em 2018-03-08T16:21:30

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